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Para analistas, em 2010 realmente vislumbra-se um cenário mais positivo. Mas eles não aliviam o governo da crítica à qualidade dos gastos públicos.
Clipping Planejamento / O Globo
Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, o resultado de 2009 não pode ser encarado como um grande problema, porque o mundo passou por uma crise financeira internacional. Para ele, é importante ressaltar que a trajetória da relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no pais) é decadente.
— Não há o que se preocupar com a dívida. Neste ano, teremos um nível de atividade crescendo e uma arrecadação muito mais forte — defendeu Lopes.
Para analistas, em 2010 realmente vislumbra-se um cenário mais positivo. Mas eles não aliviam o governo da crítica à qualidade dos gastos públicos.
O economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto, lembra que o governo tem elevado suas despesas correntes, como salários com servidores públicos, despesa que se perpetua.
Com isso, argumenta, há dependência de uma receita crescente, o que impede a redução da carga tributária.
— Isso impede mais investimentos públicos e privados.
Esses agentes têm de pagar mais impostos — advertiu Campos Neto.
Em 2009, devido à crise financeira internacional, o governo também lançou mão de alternativas para estimular a produção em setores da economia fortemente atingidos pela restrição ao crédito. Fez desonerações fiscais que somaram R$ 24,9 bilhões no ano passado e que beneficiaram, entre outros, as montadoras e a indústria de linha branca.
Maior contribuição foi do Governo Central Ainda assim, coube ao Governo Central a maior contribuição para o resultado primário de 2009, de R$ 42,443 bilhões (1,35% do PIB, para uma meta de 1,4%). Os governos regionais entregaram R$ 21,003 bilhões (0,67% do PIB, contra objetivo de 0,9%). Já as empresas estatais contribuíram com R$ 1,072 bilhão no ano (0,03% do PIB, bem abaixo do 0,2% compromissado).
Em 2009, o pagamento de juros ficou em R$ 169,140 bilhões, o correspondente a 5,40% do PIB, menor relação da série histórica do BC. Com isso, o país fechou o ano com déficit nominal (receitas menos despesas incluindo gastos com juros) de R$ 104,622 bilhões, o que corresponde a 3,34% do PIB.
Somente em dezembro, o superávit primário do setor público ficou em R$ 276 milhões e os gastos com juros, em R$ 14,217 bilhões. Desta forma, foi registrado um déficit nominal de R$ 13,942 bilhões no mês.
Autor: Agencia O Globo |